Regina Silveira: Fauna Mix

12 February - 19 March 2022
  • 12 fevereiro - 19 março
  • "Alados" da série "Fauna Mix", 2021
  • As diversas possibilidades de significação e representação da fauna brasileira há tempos permeiam a pesquisa de Regina Silveira. Como um desdobramento dessa investigação, que inclui animais peçonhentos, insetos daninhos, peixes, mamíferos, pássaros brasileiros, numa alusão à aura de exotismo que envolve secularmente a fauna brasileira, a artista apresenta a mostra “Fauna Mix”, inaugurando a programação 2022 da Luciana Brito Galeria.

     

    Diversas figuras de animais, destacando algumas de suas partes mais intimidadoras, como garras, bicos, presas e caudas, sobrepõem-se caoticamente para compor imaginários distintos em quatro grandes tapeçarias. Confeccionadas manualmente, as peças tecidas em lã alcançam uma tradução muito fiel ao desenho original realizado digitalmente pela artista, que investigou diversas fontes e se apropriou de registros de animais, para reunir um repertório variado de figuras. Numa segunda etapa, essas figuras são acumuladas digitalmente de maneira desordenada, sem uma preocupação com a relação de escala entre elas. O preto e branco da fauna representada ganha ainda mais destaque com as cores vivas em degradê do fundo. Além das peças têxteis, “Fauna Mix” também inclui três grandes impressões digitais sobre papel Hahnemühle sob a mesma temática.

  • Desde a série “Gone Wild”(1996), onde pegadas de coiotes tomaram as paredes do hall de entrada do Museum of Contemporary Art de San Diego (EUA), Regina Silveira tem investido em narrativas gráficas que implicam uma espécie de animalização dos espaços arquitetônicos, passando por “Tropel” (1998), apresentado na 28a Bienal de São Paulo, e “Mundus Admirabilis” (2007), dentre outros, inclusive o trabalho “Bicho Gal” (2017), realizado pela artista para o espetáculo musical “Fruta Gogoia”, em homenagem aos 70 anos da cantora Gal Costa. Na ocasião, Regina criou todo um imaginário de invasão de bichos para compor uma série de animações do cenário do show promovido pelo SESC-SP, com destaque para a cabeleira da cantora, imagem que abria o espetáculo. Para a artista, esse foi o trabalho que mais se aproximou das possíveis interpretações de exotismo que sempre estiveram associadas à nossa fauna. Daí também vem a ideia de trazer o elemento da tapeçaria para esse universo, estabelecendo uma relação paradoxal com as tão tradicionais tapeçarias históricas da Europa, peças nobres de decoração, geralmente símbolos de poder de autoridades da monarquia e do clero, especialmente as confeccionadas nos Países Baixos, nos séculos XVI e XVII.

     

    Recentemente, a artista também realizou a série de tapetes da qual chamou “Tropicals”, executada sob medida para o lobby do hotel Rosewood no projeto Cidade Matarazzo, com imagens paródicas dos bichos brasileiros. Simultaneamente à “Fauna Mix”, Regina Silveira apresenta ainda “Outros Paradoxos”, mostra retrospectiva que acontece no Museu de Arte Contemporânea MAC-USP, “Touch”, instalação de grandes dimensões na recém-inaugurada Galeria Hugo França, em Trancoso (BA), e exposição individual da Galeria Bolsa de Arte, em São Paulo.

     

    • Regina Silveira Alados, 2021 tapeçaria em lã tecida em tear | loom-woven wool tapestry 190 x 300 cm | 74.8 x 118.11 in
      Regina Silveira
      Alados, 2021
      tapeçaria em lã tecida em tear | loom-woven wool tapestry
      190 x 300 cm | 74.8 x 118.11 in
    • Regina Silveira Oceano, 2021 tapeçaria em lã tecida em tear | loom-woven wool tapestry 135 x 215 cm | 53.15 x 84.65 in
      Regina Silveira
      Oceano, 2021
      tapeçaria em lã tecida em tear | loom-woven wool tapestry
      135 x 215 cm | 53.15 x 84.65 in
  • Sobre Regina Silveira

    1939, Porto Alegre. Vive e trabalha em São Paulo

    A pesquisa artística de Regina Silveira questiona as formas ortodoxas e preestabelecidas de representação, levando-a a trabalhar novas possibilidades de significações. Suas obras exploram o espaço arquitetônico e contextual, geralmente causando estranhamento, por meio do deslocamento do comum, ou seja, das nossas referências comuns. Regina Silveira é conhecida por sua pesquisa sobre os princípios da perspectiva, tridimensionalidade e estudo das sombras, que emprega em grandes instalações site specific, recortes em vinil, projeções luminosas, gravuras, bordados, porcelana, vídeos digitais etc.

     

    Bacharel em artes pelo Instituto de Artes do Rio Grande do Sul (1959), mestre (1980) e doutora em arte (1984) pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA USP), sua carreira como docente inclui o ensino no Instituto de Artes do Rio Grande do Sul; na Universidad de Puerto Rico, Mayagüez; na FAAP, São Paulo; e na ECA USP. Foi artista convidada da Bienal de São Paulo nas edições de 1981, 1983 e 1998, da Bienal Internacional de Curitiba, em 2013 e 2015, e da Bienal do Mercosul em 2001 e 2011. Participou da Bienal de La Habana, Cuba, em 1986, 1998 e 2015; Mediations Biennale, Poznan, Polônia, em 2012; 6a Taipei Biennial, Taiwan, em 2006; e 2a Setouchi Triennale, Japão, em 2016. A artista já teve seu trabalho apresentado no Paço das Artes, São Paulo, 2020; Museu Brasileiro da Escultura – MuBE, São Paulo, 2018; Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, 2015; Museo Amparo, Puebla, México, 2014; Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, 2011; Atlas Sztuki Gallery, Lodz, Polônia, 2010; Masp, 2010; Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri, Espanha, 2005. Regina Silveira recebeu o Prêmio Masp (2013), o Prêmio APCA pela carreira (2011) e o Prêmio Fundação Bunge (2009). Foi bolsista das fundações Fulbright (1994), Pollock-Krasner (1993) e Guggenheim (1990), e sua obra está representada em inúmeras coleções públicas e privadas, como Cisneros-Fontanals Art Foundation (EUA), Inhotim, Coleção Itaú, El Museo del Barrio (EUA), MAC-USP, Masp, MAM-RJ/SP, Pinacoteca de São Paulo, MoMA (EUA), Phoenix Museum (EUA).

  • detalhe "Selvagem" da série "Fauna Mix", 2021
  • Regina Silveira: Fauna Mix

    English
  • For a long time, Regina Silveira’s research has dealt with various possibilities regarding the signification and representation of Brazilian wildlife. As a new development in this investigation – which includes venomous animals, insect pests, fishes, mammals, and Brazilian birds – the artist presents the show Fauna Mix. Alluding to the aura of exoticism which has surrounded Brazilian wildlife for centuries, this is the opening show of the gallery’s 2022 exhibition season.

     

    Various drawings of animals, with a highlight on some of their most intimidating parts, such as claws, beaks, fangs and tails, are chaotically overlain to one another to compose distinct imaginary scenes on four large tapestries. Made manually, the woven wool pieces faithfully convey the original digital design by the artist, who investigated various sources and appropriated different drawings of animals to assemble a varied repertoire of figures. In a second step, these figures were accumulated chaotically in a digital procedure in a disordered way without regard to the relationship of scale among them. The black-and-white of the wildlife represented is further highlighted with gradations of vibrant background colors. Besides the textile pieces, Fauna Mix also includes three large digital inkjet prints on Hahnemühle paper based on the same thematic.

  • Since the series “Gone Wild”(1996), where coyote tracks took over the walls of the entrance hall of the Museum of Contemporary Art of San Diego (USA), Regina Silveira has worked with graphic narratives that involve a sort of animalization of the architectural spaces in which they are presented. Examples of these works include “Tropel” (1998), presented at the 28th Bienal de São Paulo, “Mundus Admirabilis” (2007), and “Bicho Gal” (2017), made by the artist for the musical spectacle “Fruta Gogoia”, an homage to the 70th birthday of singer Gal Costa. On that occasion, Regina created an entire imaginary scenario of an invasion of animals in order to compose a series of animations for the stage settings of the musical show produced by SESC-SP. The stage settings most notably included, as the show’s opening image, a large-format drawing of Gal’s hair made up of an assemblage of drawings of Brazilian wildlife. The artist considers this work as her best approximation so far to the possible interpretations of exoticism that have always been associated to our wildlife. This also gave rise to the idea of bringing the element of tapestry to this world of imagery, establishing a paradoxical relationship with the traditional historical tapestries of Europe – noble decorative pieces, generally symbolizing the power of monarchs and the clergy – especially with those made in Europe in the 16th and 17th centuries.

     

    Recently, the artist also made a series of carpets titled “Tropicals”, as a site-specific work for the lobby of the Rosewood Hotel in the Cidade Matarazzo project, with parodic images of various Brazilian wildlife species. Simultaneously with Fauna Mix, Regina Silveira is also presenting “Outros Paradoxos”, a retrospective show held at the Museu de Arte Contemporânea MAC-USP, “Touch”, a large-format installation in the recently inaugurated Galeria Hugo França, in Trancoso (BA) and a solo exhibition at Galeria Bolsa de Arte, in São Paulo.

    • Regina Silveira Alados, 2021 tapeçaria em lã tecida em tear | loom-woven wool tapestry 190 x 300 cm | 74.8 x 118.11 in
      Regina Silveira
      Alados, 2021
      tapeçaria em lã tecida em tear | loom-woven wool tapestry
      190 x 300 cm | 74.8 x 118.11 in
    • Regina Silveira Oceano, 2021 tapeçaria em lã tecida em tear | loom-woven wool tapestry 135 x 215 cm | 53.15 x 84.65 in
      Regina Silveira
      Oceano, 2021
      tapeçaria em lã tecida em tear | loom-woven wool tapestry
      135 x 215 cm | 53.15 x 84.65 in
  • About Regina Silveira

    1939, Porto Alegre. Lives and works in São Paulo

    Regina Silveira’s artistic research questions the orthodox, preestablished forms of representation, leading her to work with new possibilities of signification. Her works explore the architectural and contextual space, generally evoking a sense of uncanniness through the displacement of the commonplace, that is, our common references. Regina Silveira is known for her research into the principles of perspective, tridimensionality, and the study of shadows, which she employs in large site-specific installations, vinyl cutouts, luminous projections, works in printmaking, embroidery, porcelain and digital videos.

     

    With a BA in arts from the Instituto de Artes do Rio Grande do Sul (1959), an MA (1980) and PhD in art (1984) from the School of Communication and Arts of the University of São Paulo (ECA USP), her career as a professor includes stints of teaching at the University of Puerto Rico, Mayagüez; at FAAP, São Paulo; and at ECA USP. She was an invited artist at the 1981, 1983 and 1998 editions of the Bienal de São Paulo, the 2013 and 2015 editions of the Bienal Internacional de Curitiba, and the 2001 and 2011 editions of the Bienal do Mercosul. She participated in the Bienal de La Habana, Cuba, in 1986, 1998 and 2015; Mediations Biennale, Poznan, Poland, in 2012; the 6th Taipei Biennial, Taiwan, in 2006; and the 2nd Setouchi Triennale, Japan, in 2016. The artist’s work has been presented at Paço das Artes, São Paulo, 2020; the Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), São Paulo, 2018; the Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, 2015; the Museo Amparo, Puebla, Mexico, 2014; the Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, 2011; Atlas Sztuki Gallery, Lodz, Poland, 2010; Masp, 2010; and the Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid, Spain, 2005. Regina Silveira was awarded the Prêmio Masp (2013), the Prêmio APCA for her career (2011), and the Prêmio Fundação Bunge (2009). She has received grants from the Fulbright (1994), Pollock-Krasner (1993) and Guggenheim (1990) foundations, and her work figures in countless public and private collections, such as those of the Cisneros-Fontanals Art Foundation (USA), Inhotim, Coleção Itaú, El Museo del Barrio (USA), MAC-USP, Masp, MAM-RJ/SP, the Pinacoteca de São Paulo, MoMA (USA), and the Phoenix Museum (USA).

  • "Alados" from the series "Fauna Mix", 2021