Gertrudes Altschul: Pequenos Formatos

16 October 2021 - 29 January 2022
  • Gertrudes Altschul é sem dúvida pioneira na consolidação da fotografia moderna no Brasil. Prestes a completar 60 anos desde sua morte, em 1962, a artista além de ser um dos destaques da exposição “Fotoclubismo: Brazilian Modernist Photography, 1946-1964”, que atualmente acontece no Museum of Modern Art (MoMA-NY), apresenta a exposição “Filigrana”, no Museu de Arte de São Paulo (MASP), a maior individual já realizada sobre sua obra. Neste contexto, a Luciana Brito Galeria, juntamente com Isabel Amado Fotografia, parceira e representante exclusiva das obras da artista, apresentam a mostra “Gertrudes Altschul: Pequenos Formatos”, como parte do programa “Artista Visitante”.
    Reunindo mais de 35 fotografias inéditas e originais (vintage) da artista, pequenas ampliações realizadas entre 1948 e 1960 recém-descobertas pela família, a mostra traça um panorama condizente com a importância da produção da artista e estabelece um diálogo direto com a arquitetura modernista da antiga residência projetada por Rino Levi.

  • De origem judaica, fugindo do Regime Nazista e do antissemitismo alemão, Gertrudes desembarcou no Brasil com a família, estabelecendo-se em...

    Sem título, c. 1950

    gelatina e prata | gelatine silver print

    16 x 20 cm | 6.3 x 7.87 in

    vintage

    De origem judaica, fugindo do Regime Nazista e do antissemitismo alemão, Gertrudes desembarcou no Brasil com a família, estabelecendo-se em São Paulo, em 1939. A fotografia desde então passou a estar presente na vida da artista, seja nos registros do dia a dia, seja para auxiliar com os moldes de criação da fábrica da família, de flores ornamentais para chapéus e adereços. No final da década de 1940, Gertrudes aproximou-se do Foto Cineclube Bandeirante, que reunia os protagonistas da fotografia moderna no Brasil, tornando-se uma das poucas mulheres associadas. Juntamente com Geraldo de Barros, German Lorca e Thomaz Farkas, a artista passou então a trabalhar em consonância com as pesquisas experimentais da Escola Paulista de Fotografia, pensando a fotografia como meio de expressão artística.

  • Dona de uma habilidade artística genuína, Gertrudes era perita na capacidade de sintetizar, seja na captura do seu objeto pelo olhar, seja pela facilidade com a edição, processo este que se tornou determinante na sua dinâmica de criação e produção. A partir da fotografia realizada com uma Câmera Rolleiflex, cujos negativos eram maiores e mais propícios para experimentação, a artista já definia um recorte retangular específico a partir da imagem quadrada 6 x 6 original da câmera. Era por meio da manipulação dos ângulos que ela conseguia selecionar o que mais lhe interessava e potencializar os aspectos gráficos da imagem. Gertrudes também era adepta da criação utilizando-se da técnica do fotograma, um processo de gravação da imagem durante a ampliação, do qual o posicionamento de objetos sobre o papel fotográfico e a incidência de luz direta, permitia explorar ao máximo as formas originais dos objetos, cujos resultados podem também ser vistos na exposição.

  • Em sua produção, a cidade de São Paulo, então em pleno crescimento geográfico, econômico e cultural, tornou-se o cenário perfeito para os experimentos fotográficos, por meio de um particular interesse pela arquitetura moderna e industrial, que entrava num intenso processo de verticalização com os novos empreendimentos mobiliários. Sob o ângulo de Gertrudes, a arquitetura e os espaços urbanos, dessa forma, ganham destaque pelos seus detalhes, onde o enquadramento mais fechado transforma o referencial em abstração geométrica. A obra “Concreto Abstrato”, parte da exposição e considerada uma das principais obras da fotografia moderna no Brasil, é um bom exemplo de desconstrução do objeto a partir do enquadramento, resignificando-o dentro da estética construtivista, então em voga no Brasil na década de 1950. 

  • Outro aspecto marcante em sua pesquisa, e único dentro do conceito modernista da época, foi a utilização de folhagens naturais e motivos botânicos em seus experimentos com a fotografia. Os padrões orgânicos e geométricos, típicos da vegetação brasileira, direcionavam o olhar de Gertrudes, que conseguia potencializar seus atributos naturais e padrões geométricos através da dramaticidade natural da luz e da perspectiva. Respeitando este conceito, a obra “Filigrana”, que pode ser vista na exposição, está entre as dez fotografias mais importantes da modernidade em todo o mundo, de acordo com a curadora do MoMA-NY e pesquisadora norte-americana, Sarah Meister.

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